Biblioteca · rascunho com links internos · 09 set 2026
1º na filacomenta SETUP1846 palavras3 prompts7 links internospré: nenhum
Configure a IA como uma funcionária nova, em 20 minutos e sem instalar nada
Você sai com: a sua IA já sabendo o que o seu negócio faz, com quem fala e do jeito que você escreve, sem precisar repetir isso toda vez.
Antes de começar: nada. Este é o guia zero da biblioteca, e os outros quatro voltam para ele.
São quinze para as sete da noite. Chegou um pedido de orçamento no WhatsApp, o mesmo tipo de pergunta que você já respondeu umas quarenta vezes este ano. Então você abre a IA, pede a resposta e ela devolve em oito segundos um texto bonito e completamente sem alma. Cheio de "prezado cliente" e "estamos à disposição para melhor atendê-lo". Ninguém fala assim. Você não fala assim.
Aí você reescreve. Tira o "prezado", muda o valor que ela inventou, corta o parágrafo institucional, ajusta o prazo. Quando termina, passaram doze minutos e você teria feito em seis se tivesse escrito do zero. E amanhã vai acontecer de novo, porque amanhã ela não vai lembrar de nada.
Esse guia resolve isso. Não com prompt melhor, com configuração. Vinte minutos, uma vez, e a conversa muda de patamar.
1. Por que a resposta sai genérica
A IA não sabe nada sobre você. Nada mesmo. Não sabe o que você vende, quanto cobra, se atende empresa ou pessoa física, se você é formal ou solto. Sem isso, ela faz a única coisa possível: escreve o orçamento médio do Brasil inteiro.
O problema não está no seu pedido, está no que ela não sabe antes do pedido. É a diferença entre pedir o orçamento para um funcionário de três meses de casa e para alguém que entrou hoje e nunca viu a sua tabela de preço. Os dois são competentes. Só um vai acertar.
E ela começa do zero toda vez. Você explica o negócio inteiro numa conversa, abre outra amanhã e está de volta à estaca zero. Existe uma versão menor disso dentro de uma conversa só, e ela é o assunto de A IA não ficou burra. A conversa ficou longa demais.
A saída é guardar o contexto num lugar fixo, que ela lê antes de qualquer pedido.
2. As 8 coisas que ela precisa saber sobre você
Não são oitenta. São oito. Depois de anos configurando isso para negócio dos outros, cheguei nessas oito porque são as únicas que mudam o texto de saída. O resto é enfeite.
1. O que você vende, em uma frase concreta. Não "soluções em bem-estar", e sim "aulas de pilates em estúdio, com no máximo cinco alunos por horário".
2. Para quem você vende. Quem paga, com idade, região e situação de vida. Um escritório de contabilidade que atende MEI de salão de beleza escreve textos diferentes do que atende indústria com trinta funcionários.
3. Faixa de preço e como você cobra. Valor de entrada, valor médio, se tem pacote, se parcela, se cobra deslocamento. Sem número ela chuta, e o chute sempre parece caro ou barato demais.
4. Como você fala. Você trata por você ou por senhor, usa "a gente" ou "nós"? Escreva duas ou três frases suas, copiadas de uma conversa real. Exemplo de tom vale mais que adjetivo sobre o tom.
5. O que você nunca faz. Não parcela em mais de três vezes, não atende domingo. É a lista que impede a IA de prometer coisa que você não entrega.
6. Contra quem você compete e o que te diferencia. Uma linha só. "Tem duas oficinas na mesma rua mais baratas, eu ganho porque dou garantia de seis meses por escrito."
7. Onde o texto vai ser usado. WhatsApp, e-mail, Instagram, proposta em PDF. O mesmo conteúdo no WhatsApp e numa proposta formal são dois textos diferentes.
8. As três perguntas que os seus clientes mais fazem. E como você responde cada uma hoje, com as suas palavras. "Vocês parcelam?", "atende no meu bairro?", "quanto tempo demora?". É uma frase sua que já funcionou na frente de um cliente.
Se você prefere preencher lacuna, cole este bloco na IA e complete:
Guarde estas informações sobre o meu negócio e use em tudo que eu pedir daqui pra frente.
1. O QUE VENDO: [descreva em uma frase concreta, com o produto ou serviço e como ele é entregue]
2. PARA QUEM: [quem paga, faixa de idade, região, situação]
3. PREÇO: [valor de entrada, valor médio, formas de pagamento, o que está incluso]
4. COMO EU FALO: [você/senhor, formal ou solto, usa emoji ou não] Exemplo real do meu jeito de escrever: "[cole aqui duas frases suas de uma conversa real]"
5. O QUE EU NUNCA FAÇO: [lista de 3 a 5 coisas que você não entrega, não aceita ou não promete]
6. CONCORRÊNCIA E DIFERENÇA: [quem compete comigo e por que o cliente me escolhe]
7. ONDE O TEXTO VAI: [WhatsApp, e-mail, Instagram, proposta]
8. AS 3 PERGUNTAS QUE MAIS ME FAZEM: [escreva com as palavras do cliente, e como você responde cada uma hoje]
Confirme o que você entendeu em até 5 linhas, e me diga qual dos 8 itens ficou vago demais pra você usar.
Aquela última linha obriga a IA a apontar onde você foi genérico, e é ali que o setup falha.
3. Onde isso fica guardado para não repetir toda vez
Toda IA que presta tem um lugar de memória permanente. Você escreve uma vez e ela lê antes de toda resposta, em toda conversa nova. Não instala nada e funciona no navegador do celular.
Eu vou te mostrar no Claude, que é a IA que eu uso todo dia e a única em que eu testo tudo antes de ensinar. A ideia é a mesma em qualquer uma, muda o nome do menu. Se você usa outra, procura por instruções personalizadas ou instruções salvas nas configurações. Eu prefiro não te ensinar o caminho de uma ferramenta que eu não abro.
O jeito rápido. Menu do seu perfil, Settings, depois Profile. Cole o seu documento inteiro no campo de preferências pessoais e ele vale em toda conversa que você abrir.
O jeito certo, que leva o mesmo tempo. Crie um Projeto com o nome do seu negócio e cole o documento em Instruções do projeto. Toda conversa dentro dele já nasce sabendo quem você é, e você pode ter um projeto para atendimento e outro para conteúdo, sem um contaminar o outro.
Onde quer que você cole, vale a mesma regra: texto corrido, curto, sem enfeite. É informação para máquina ler, não documento para cliente ver. Passou de uma página, você encheu de coisa que não muda a resposta.
4. O documento de uma página do seu negócio
Em vez de escrever tudo isso sozinho, você deixa a IA te entrevistar e escrever por você. Folha em branco trava qualquer um, pergunta direta destrava. Uma dona de loja de roupa trava se você pede "descreva o seu posicionamento", e responde na hora se você pergunta "o que a cliente nova costuma comprar primeiro?".
Cole este prompt numa conversa nova.
Você vai me entrevistar para montar um documento de contexto do meu negócio,
que eu vou salvar nas suas instruções permanentes.
REGRAS DA ENTREVISTA:
- Faça UMA pergunta por vez e espere a minha resposta antes da próxima.
- São de 8 a 10 perguntas no total. Numere cada uma.
- Se a minha resposta ficar vaga, genérica ou publicitária, não aceite:
faça uma pergunta de acompanhamento pedindo um exemplo concreto,
um número ou uma frase real que eu já usei. Insista até 2 vezes na mesma
pergunta antes de seguir. Nunca siga sem número no preço nem sem uma
frase minha de verdade no meu jeito de escrever.
- Não sugira respostas nem dê exemplos entre parênteses, não escreva o documento antes do fim,
não me elogie e não comente as minhas respostas.
- Cubra obrigatoriamente: o que eu vendo e como entrego, quem é o cliente
que paga, faixa de preço e forma de cobrança, o meu jeito de escrever
com exemplo real, o que eu nunca faço ou não aceito, quem é a concorrência
e por que me escolhem, os canais onde eu escrevo, e as perguntas que
os clientes mais me fazem.
DEPOIS DA ÚLTIMA RESPOSTA:
Escreva um documento de no máximo 400 palavras, em texto corrido e direto,
sem enfeite e sem formatação decorativa, escrito na terceira pessoa,
começando por "Contexto do negócio:". Use as minhas palavras sempre que
possível, inclusive as informais. Não invente nada que eu não disse: se eu
não falei bairro, endereço, data, ano ou número, não escreva.
No fim do documento, liste em até 6 linhas o que ficou faltando, do mais
importante para o menos importante,
e que eu deveria completar depois.
Comece agora pela pergunta 1.
Reserve quinze minutos e responda como se estivesse explicando para alguém que começa a trabalhar com você amanhã. Se ela perguntar seu preço, dê o número. Esse documento não vai para lugar nenhum além da sua própria configuração.
No fim, copie tudo e cole no lugar da seção 3. É a parte que economiza as suas próximas cem horas.
5. O teste do antes e depois
Configuração que você não testa você não confia, e o que você não confia você abandona em duas semanas. O teste leva três minutos.
Pegue aquele pedido que sempre sai errado e rode ele em duas conversas: uma dentro do lugar configurado, outra num navegador anônimo ou numa conta sem configuração.
Depois cole o documento de contexto e as duas saídas juntas, e peça a comparação:
Abaixo estão duas versões da mesma tarefa, geradas pela mesma IA.
A versão A foi feita sem nenhum contexto sobre o meu negócio.
A versão B foi feita com o meu documento de contexto salvo.
Compare as duas em uma tabela com 4 linhas: precisão das informações,
adequação do tom, o que eu teria que reescrever à mão, e tempo estimado
de correção. Seja específico, aponte trechos.
Depois me diga, em até 5 linhas, o que ainda falta no meu documento de
contexto acima para a versão B sair pronta para enviar sem edição.
Não liste nada que já esteja escrito no documento.
MEU DOCUMENTO DE CONTEXTO:
[cole aqui]
VERSÃO A:
[cole aqui]
VERSÃO B:
[cole aqui]
A última pergunta te devolve o que falta no documento, e você completa em dois minutos.
6. Os 3 erros de setup que estragam tudo
Colar o texto institucional do site. "Somos uma empresa comprometida com a excelência e a satisfação dos nossos clientes" não informa nada. Fale como você falaria para um amigo que perguntou do que você vive.
Encher de informação que não muda a resposta. O ano de fundação, o nome do sócio, a história do avô que começou tudo. Se o dado não mudaria o texto de saída, ele não entra.
Esquecer que preço mudou. Esse é o mais caro dos três. Você configura em março, aumenta o preço em julho, continua com a configuração antiga e aí ela manda um orçamento com o preço velho. O erro deixou de ser de texto e virou problema comercial. O preço velho também reaparece por outro motivo em conversas longas, e isso está em A IA não ficou burra. A conversa ficou longa demais.
7. Quando voltar e atualizar
Não crie rotina mensal para isso, você não vai cumprir e vai só carregar culpa. Use três gatilhos.
Quando o preço muda. Valor, pacote ou forma de pagamento, abra a configuração no mesmo dia. É a única que não pode esperar.
Quando você começa a vender uma coisa nova. O estúdio de pilates que passou a dar aula online, a confeiteira que começou a fazer bolo de casamento. Produto que não está no documento sai da IA como se não existisse.
Quando você se pegar corrigindo a mesma coisa três vezes. Se você já tirou "prezado cliente" três vezes esta semana, anote a correção e leve para o documento. Toda correção repetida é uma informação faltando lá dentro.
E agora, depende de onde você está
Se você quer usar isso e seguir sozinho. O próximo passo é mudar o papel que a IA assume dentro da conversa, porque contexto salvo mais comando certo rende bem mais. O guia seguinte é 5 frases que mudam a resposta da IA na hora, todas prontas para colar.
Se você quer estruturar isso direito de uma vez. O setup deste guia é a base e resolve muita coisa. Se você quer o processo completo, com o documento de contexto do seu tipo de negócio, os modelos das tarefas que você repete toda semana e tudo num lugar só, é o que eu montei no produto de setup. Ele existe para quem não quer descobrir sozinho na tentativa e erro.
Se você já tem gente na sua equipe usando IA de qualquer jeito. Aí a conversa é outra. Quando três, cinco ou dez pessoas usam IA cada uma do seu jeito, com contexto próprio, sem padrão de preço nem de tom, o problema deixou de ser configuração pessoal e virou processo da empresa. Eu implemento isso sob medida na ResultROI, integrado ao que você já usa no dia a dia. Se é o seu caso, me chama e a gente olha o seu processo antes de falar de ferramenta.
A sua ação desta semana
Abre a IA que você já usa hoje, cola o prompt de entrevista da seção 4 e responde com sinceridade, sem economizar detalhe. Salva o resultado nas instruções permanentes, no lugar certo da seção 3.
Depois pede aquela mesma coisa que sempre sai errada, a que te faz reescrever tudo à mão. E vê o que muda.
Você abre o Instagram e vê alguém tirando coisa absurda da IA. Um plano de semana pronto. Uma proposta que já sai do jeito que a pessoa fala.
Aí você abre a mesma tela. Mesmo site, mesmo plano pago, às vezes o mesmo dia. E o que volta é um textão com cara de post de blog, cheio de "é importante ressaltar", que não resolve nada do seu dia.
A conclusão fácil é achar que existe uma palavra secreta. Ou um curso de prompt que você precisa fazer e não vai fazer, porque você tem um negócio pra tocar.
Não é isso. A diferença cabe em uma frase colada antes do seu pedido. Cinco frases, na verdade, e você já sabe usar todas depois deste guia.
1. A ideia em uma frase
Você não melhora a IA. Você muda o papel que ela assume.
Quando você pede "escreve um orçamento", ela assume o papel padrão: alguém prestativo que responde rápido e enche linguiça pra parecer completo. Esse papel é péssimo pra quase tudo que você precisa.
Pensa em quem você chamaria pra cada tarefa no mundo real. Pra entender um contrato você quer alguém que traduza, não alguém que escreva mais contrato.
A IA faz qualquer um desses papéis. Ela só não escolhe sozinha. Cada frase abaixo é uma contratação: você diz quem ela é nessa conversa, e só depois faz o pedido.
2. Modo pensar antes de responder
Pra que serve: qualquer coisa em que ela precisa de informação que só você tem. Orçamento, preço, prazo, proposta. É o modo que mata resposta inventada.
Ela é rápida demais. Você pede um orçamento e em três segundos vem um documento bonito com valores, prazos e condições que ela chutou.
Antes de escrever qualquer coisa, me diz o que você precisa saber pra fazer isso bem feito.
Lista as informações que estão faltando e espera eu responder.
Não produz nada agora, e não me oferece chutar pra adiantar.
Antes: "escreve o orçamento de pintura de um apartamento de 60 metros". Ofereceu montar um valor médio só pela metragem, e eu ia mandar pro cliente um preço que ela chutou.
Depois: voltaram seis perguntas. Massa corrida ou repintura, se o teto entra, material meu ou do cliente, quantos ambientes, móvel pra proteger, meu valor por metro. Respondi em dois minutos e o orçamento saiu certo de primeira.
3. Modo entrevistador
Pra que serve: quando você sabe que precisa de alguma coisa mas não consegue explicar o que é. É o melhor modo pra quem trava na hora de escrever o pedido.
O modo anterior pergunta tudo de uma vez. Este conduz, uma pergunta por vez. Parece mais lento e é mais rápido, porque você não precisa organizar o pensamento antes.
Você vai me entrevistar pra montar isso.
Faz uma pergunta só por mensagem e espera minha resposta antes da próxima.
No máximo seis perguntas. Quando tiver o suficiente, me avisa e monta o material.
Antes: "me ajuda a fazer uma mensagem pros clientes que pediram orçamento e sumiram". Voltou um textão com "espero que esteja tudo bem com você" e um emoji.
Depois: perguntou há quanto tempo o orçamento tinha sido enviado, se eu já tinha cobrado, se o preço ainda valia e o que trava a decisão dessas pessoas. Na sexta pergunta disse que já tinha o suficiente. A mensagem saiu curta e três pessoas responderam no mesmo dia.
4. Modo crítico
Pra que serve: tudo que vai sair de você pra fora. Proposta, e-mail delicado, post, resposta de reclamação, contrato que você escreveu.
A IA amacia por padrão. Ela até acha defeito, mas espalha tudo no mesmo peso, e você fecha a tela sem saber qual está te custando a venda. Essa tendência a te poupar aparece também quando você pede opinião sobre uma decisão de dinheiro, e aí sai caro, que é o assunto de Para de perguntar pra IA se a sua ideia é boa.
Não me elogia.
Lê isso como se você fosse o cliente mais desconfiado que eu tenho e me diz onde isso perde a venda.
No máximo cinco pontos, do mais grave pro menos grave, e o que faria cada um funcionar.
Antes: mandei a proposta e perguntei se estava boa. Voltou uma lista de oito observações no mesmo peso, misturando "falta um portfólio" com "o prazo tem brecha". Não mudei nada.
Depois: apontou que o valor aparecia na página três sem justificativa antes, que eu falava do meu processo e não do problema do cliente, e que o prazo dava pra entender de duas formas. Foram cinco pontos, na ordem. Arrumei os três primeiros em vinte minutos e a proposta foi aprovada.
Um aviso honesto: dói. Na primeira vez você vai achar que ela pegou pesado. Ela não pegou, você só nunca tinha lido a sua proposta pelo olho de quem paga.
5. Modo executor
Pra que serve: quando você precisa fazer alguma coisa na prática e não quer receber um manual de vinte itens que você não vai ler.
Ela sabe explicar. O problema é explicar tudo de uma vez. Vem um passo a passo com quatorze etapas, você lê até a terceira, fecha e não faz.
Me leva por isso um passo de cada vez.
Fala só o primeiro passo e para.
Só segue pro próximo depois que eu escrever "feito".
Antes: "como eu organizo o controle de pedidos numa planilha". Voltou um texto enorme com colunas, fórmulas, aba de resumo e dica de gráfico. Salvei pra ler depois. Nunca li.
Depois: o primeiro passo foi abrir uma planilha em branco e criar cinco colunas com os nomes que ela deu. Um minuto. Escrevi "feito" e veio o segundo. Em quarenta minutos a planilha estava rodando com os pedidos da semana dentro.
6. Modo tradutor
Pra que serve: tudo que chega escrito em idioma de outra profissão. E-mail do contador, cláusula de contrato, proposta de fornecedor, notificação do banco, carta de reajuste.
Provavelmente é o que você vai usar mais vezes por mês. Ler aquilo com atenção custa meia hora que você não tem, e quando você lê rápido você aceita coisa que não devia.
Me explica isso em português do dia a dia, como se eu nunca tivesse visto um documento desses.
Diz com número o que isso significa pro meu bolso.
E me avisa se tiver parte que eu deveria questionar antes de assinar.
Antes: colei a cláusula do contrato de fornecimento e pedi um resumo. Voltou um resumo tão jurídico quanto o original, só que menor.
Depois: disse, em três frases, que eu me comprometia a um volume mínimo por trimestre, que se eu não comprasse eu pagava a diferença sem receber o produto, e que a multa de saída era de dois meses. E que eu deveria perguntar o que acontece se o fornecedor atrasar, porque o contrato falava só do meu lado.
7. Bônus: modo comparador
Ficou de bônus porque você não usa toda semana. No dia que usa, economiza uma decisão ruim.
Pra que serve: escolher entre duas ou três opções. Fornecedor, plano de ferramenta, maquininha, proposta de freelancer.
O detalhe que faz funcionar é você dar os critérios. Se você não der, ela compara pelo que acha importante, que quase nunca é o seu.
Compara essas opções lado a lado usando só os critérios que eu vou te dar.
Monta uma tabela, uma linha por critério. Número que eu não te dei, deixa em branco e me pede, não chuta.
No fim diz qual você escolheria e por quê, mesmo que a diferença seja pequena.
Antes: "qual maquininha é melhor?". Voltou uma explicação equilibrada sobre as três e nenhuma decisão.
Depois: dei os critérios que importam pra mim: taxa no débito, prazo de recebimento e se trava o dinheiro. Montou a tabela e deixou as taxas em branco, pedindo que eu buscasse no site das três. Escolheu uma, e explicou que a diferença estava no prazo, não na taxa, porque no meu volume dois dias a menos valiam mais que 0,3%.
8. Encadear dois modos na mesma conversa
Cada modo é bom em uma coisa e ruim nas outras. O entrevistador levanta informação e não entrega nada pronto. O executor faz acontecer e é péssimo pra descobrir o que precisa ser feito.
Na ordem certa, os dois resolvem a tarefa inteira. Primeiro o entrevistador, depois o executor. A troca acontece dentro da mesma conversa, sem começar de novo, porque ela já tem tudo que você respondeu.
A frase de transição é esta:
Pode parar de perguntar.
Agora pega tudo que eu te respondi e transforma num plano, um passo de cada vez,
e só segue pro próximo depois que eu escrever "feito".
Na prática: você quer organizar o atendimento do WhatsApp. Cola o modo entrevistador e responde o que ela perguntar. Quando sentir que já contou o que importa, cola a frase de transição. Não espera ela dizer que acabou, porque em tarefa grande ela pergunta sem parar.
Outros pares: pensar antes seguido de executor, quando você já sabe o que quer mas faltam dados. E qualquer coisa que você escreveu seguida do modo crítico, sempre, antes de mandar pra fora.
Ela precisa dos seus números antes de escrever qualquer valor
Escrever uma proposta do zero
Entrevistador, depois crítico
Ela tira de você o que só você sabe, e depois ataca o resultado
Revisar qualquer coisa antes de enviar
Crítico
É o único modo que não te agrada
Organizar a semana ou montar um controle
Executor
Passo pequeno é passo que você faz
Entender contrato, e-mail do contador, reajuste
Tradutor
O texto não está difícil, está escrito pra outra profissão
Escolher fornecedor, plano ou ferramenta
Comparador (bônus)
Com os seus critérios, não com os dela
Tarefa grande que você não sabe nem por onde começar
Entrevistador, depois executor
É o encadeamento da seção 8
10. O erro de empilhar tudo
Toda vez que eu mostro isso, alguém tem a mesma ideia: colar as seis frases juntas no começo do prompt. Você não recebe o melhor de cada uma. Você recebe a primeira, e joga as outras cinco fora.
O modo pensar antes diz "não produz nada agora". O executor diz "faz o primeiro passo". O entrevistador diz "pergunta uma coisa por vez". O crítico diz "ataca o que está aí". São quatro ordens que se contradizem. Eu testei: com as seis coladas, ela levantou o que faltava e começou a entrevista, e ignorou a tabela, a crítica e o passo a passo. Você escreveu seis linhas e usou duas.
A regra é um modo por vez. Trocar de modo é escrever uma frase nova quando o trabalho mudar de natureza, não somar frase em cima de frase. E se estiver na dúvida entre dois modos, escolhe o entrevistador. É o único que descobre sozinho o que a tarefa precisa.
Se você usar isso de verdade, a conversa vai ficar longa, e ela volta a errar uma coisa que você já corrigiu três vezes. Esse é o assunto de A IA não ficou burra. A conversa ficou longa demais. E se você quer parar de montar tudo do zero toda vez, deixa o seu negócio salvo antes: é o que o produto de entrada resolve.
Antes disso, faz isto aqui:
A sua ação desta semana
Escolhe uma tarefa que você repete toda semana. Aquela que você já fez tantas vezes que nem pensa mais.
Refaz ela usando só o modo entrevistador. Cola a frase e responde uma pergunta por vez, sem adiantar o serviço. Se passar de seis perguntas, corta e manda ela montar o material.
No fim, compara o que saiu com o que você teria escrito no primeiro chute. A diferença entre as duas coisas é o tamanho do que você estava deixando na mesa.
3º na filacomenta DISCORDA1752 palavras7 prompts6 links internospré: nenhum
Para de perguntar pra IA se a sua ideia é boa
Você sai com: o jeito de pedir análise honesta em vez de elogio, e de reconhecer quando ela está só te agradando.
Antes de começar: nada. Testei tudo aqui no Claude, que é a IA que eu uso.
Terça, dez e meia da noite, a casa em silêncio, você finalmente parou pra pensar no preço.
Abre a IA e digita: "estou pensando em subir meu serviço de R$ 250 para R$ 320, isso faz sentido?". Ela responde que sim. Cinco motivos ótimos. Fala em valor percebido, em posicionamento, em cliente que paga mais e reclama menos. Você dorme animada.
Na quinta bate o medo. Você abre outra conversa e digita: "estou pensando em baixar de R$ 250 para R$ 190 pra vender mais volume, isso faz sentido?". Ela responde que sim. Outros cinco motivos, igualmente bons. Fala em barreira de entrada, em ocupar a agenda, em ganhar escala.
Foi aí que você percebeu. Você não consultou ninguém. Você conversou com um espelho que fala bonito.
E o pior é o que quase aconteceu depois. Você quase mexeu no preço do seu negócio com base nisso.
Este guia conserta esse ponto. O assunto aqui é decidir melhor uma coisa que mexe no seu dinheiro. A IA é só o meio.
1. O teste de 30 segundos
Antes de acreditar em mim, faz o teste: pega uma decisão de verdade e faz a mesma pergunta de dois jeitos opostos, em duas conversas separadas. Separadas porque, na mesma conversa, ela lembra do que você já disse e tenta ser coerente.
Conversa 1:
Estou pensando em [SUA IDEIA, do jeito que você quer fazer].
Isso faz sentido pro meu negócio?
Conversa 2, numa janela nova:
Estou pensando em [O CONTRÁRIO EXATO DA SUA IDEIA].
Isso faz sentido pro meu negócio?
Compara as duas. Você vai cair num destes três casos:
1. As duas disseram sim, com uma lista de motivos convincentes. É o caso clássico, e você acabou de ver o problema com os seus olhos. 2. As duas te encheram de pergunta e não responderam nada. Acontece bastante nas versões mais novas. Repara no que voltou: nenhuma das duas falou do seu negócio, porque nenhuma sabe nada dele. Você gastou dois minutos e continua sem decidir. 3. As duas discordaram entre si. Essa ferramenta está te ajudando, guarda qual foi. E lê o resto do guia mesmo assim, porque isso muda a cada atualização.
Faz agora. Leva meio minuto.
2. Por que ela faz isso
Não é defeito seu, nem burrice dela, nem falta de plano pago.
No treino dessas ferramentas, pessoas avaliaram milhares de respostas, e a que concorda saiu melhor avaliada muito mais vezes do que a que contraria. Sobrou uma inclinação de fábrica: na dúvida, ela apoia o que você trouxe. E quando você escreve "estou pensando em subir o preço", já entregou a resposta que quer ouvir. Ela lê a sua torcida no meio da frase.
Duas consequências:
Concordar não é opinião dela. Aparece mais em umas ferramentas que em outras.
Dá pra desligar isso, mas precisa pedir.
O resto do guia é como pedir.
3. As quatro decisões onde isso vira prejuízo
Conselho bonitinho não custa nada em post de rede social. Custa nestes quatro lugares.
Os números abaixo são exemplos ilustrativos, montados para você enxergar a ordem de grandeza. Não são dado de pesquisa e não são o seu caso. A conta que vale é a sua, com os seus números.
1. Preço. Prestadora de serviço, 40 atendimentos por mês a R$ 250, R$ 10.000 de faturamento. A IA aprovou baixar para R$ 190 "pra ganhar volume". O volume não veio nos dois primeiros meses. São R$ 2.400 a menos por mês, R$ 28.800 no ano. E subir de volta com a mesma base é bem mais difícil do que descer.
2. Contratar a primeira pessoa. Você pergunta se está na hora e ela diz que sim: delegar é sinal de maturidade. Ninguém te lembra que um salário de R$ 2.000 vira algo perto de R$ 3.000 a R$ 3.400 por mês com encargos, décimo terceiro e férias. São R$ 36.000 a R$ 40.000 no ano. E se em quatro meses você vir que errou, ainda tem o custo de desfazer.
3. Colocar dinheiro em anúncio. R$ 1.500 por mês, e pelo menos três meses até dar pra ler resultado. São R$ 4.500 gastos antes de saber se funciona, com uma oferta que talvez nem estivesse pronta.
4. Largar um cliente ruim. O cliente que paga R$ 1.200 por mês e consome 20 horas suas. São R$ 60 por hora, enquanto o resto da sua carteira paga R$ 150. Você pergunta se deve manter e ela, sem esses números, fala de relacionamento de longo prazo e receita recorrente. Com os seus números salvos, do jeito que mostra o Configure a IA como uma funcionária nova, em 20 minutos e sem instalar nada, ela responderia com a sua conta na mão, não com o conselho médio da internet.
Em nenhum dos quatro casos ela mentiu. A pergunta já vinha com a resposta dentro.
4. Tire a sua opinião de dentro da pergunta
É a correção mais barata do guia.
Compara:
"Acho que devo subir o preço para R$ 320, o que você acha?"
"Meu preço hoje é R$ 250. Quais são as opções e o que pesa contra cada uma?"
A primeira pede aprovação. A segunda pede análise. Uma frase mudou o trabalho que ela vai fazer.
Três hábitos que resolvem quase tudo:
Não diga o que você prefere. Guarde a sua inclinação para depois de ler.
Dê o cenário, não o veredito. Números, prazo, quem é o cliente, o que você já tentou.
Peça o que pesa contra, sempre.
5. As quatro frases que quebram a concordância
Copia e cola numa conversa nova. Cada uma faz um trabalho diferente.
Advogado do diabo. Use quando você já está apaixonado pela ideia.
Assume o papel de advogado do diabo sobre a decisão abaixo.
Não me elogie, não busque equilíbrio e não me dê os dois lados.
Sua única tarefa é construir o caso mais forte possível CONTRA.
Aponte o que eu provavelmente não estou vendo e o que me custaria dinheiro
se eu estiver errado.
Decisão: [descreva em 3 linhas, com números]
Pré-mortem. Use quando a decisão já está quase tomada. Se você levar só uma coisa deste guia, leva esta. A história é inventada, não é previsão: o que vale é a lista de causas e os sinais de alerta do fim.
Imagine que já se passaram 6 meses desde que eu tomei a decisão abaixo
e ela deu muito errado.
Escreva a história de como isso aconteceu, do começo ao fim.
Depois liste as 5 causas mais prováveis do fracasso, da mais provável
para a menos, e o sinal de alerta que eu poderia ter percebido antes
em cada uma.
Decisão: [descreva em 3 linhas, com números]
O que eu não te perguntei. Use antes de decidir.
Antes de responder qualquer coisa: o que eu NÃO te perguntei
sobre essa situação e deveria ter perguntado?
Liste as 5 perguntas mais importantes que eu não fiz,
e explique em uma linha por que cada uma muda a decisão.
Situação: [descreva em 3 linhas, com números]
Nota de 0 a 10 com o que faltou. A nota importa menos que a justificativa.
Dê uma nota de 0 a 10 para o plano abaixo, sendo rigoroso.
Depois responda três coisas:
1. o que exatamente está faltando para virar 10
2. qual é o ponto mais frágil do plano
3. o que você precisaria saber sobre o meu negócio para ter certeza
Não amenize a nota para não me desanimar.
Plano: [descreva em 3 linhas, com números]
6. Faça ela defender os dois lados antes de opinar
As frases acima puxam a conversa para um lado. Este passo faz ela olhar para os dois, e a ordem é o segredo.
Se ela opinar primeiro, tudo que vem depois vira justificativa: ela fica coerente com o que já falou, não com a realidade.
A ideia de colocar vários conselheiros para debater antes de fechar uma resposta é do Andrej Karpathy, que publicou o projeto dele aberto em github.com/karpathy/llm-council. Lá ele faz várias inteligências diferentes discutirem entre si. Esta é a versão caseira, dentro de uma conversa só, em português:
Vou te dar uma decisão do meu negócio.
Siga esta ordem exata e não pule etapa nenhuma:
1. Monte a defesa mais forte possível a FAVOR. Três argumentos, com números.
2. Monte a defesa mais forte possível CONTRA. Três argumentos, com números.
3. Aponte onde os dois lados discordam de verdade e o que decidiria a disputa.
4. Liste o que precisaria ser verdade para o lado A vencer,
e o que precisaria ser verdade para o lado B vencer.
5. SÓ AGORA me diga qual você escolheria e por quê,
junto com o seu nível de confiança de 0 a 100%.
6. Diga qual informação minha faltou e mais atrapalhou a sua análise.
Se eu não te dei algum número, não invente um no lugar.
Diga que está faltando e siga com o resto.
Decisão: [descreva com números: valores, prazo, quantos clientes,
quanto você fatura hoje]
O item 6 costuma ser o mais útil. É ali que você descobre que pedia conselho sobre preço sem nunca ter dito o seu custo.
7. Os sinais de que ela voltou a te bajular
Isso volta. Conversa longa, decisão nova, atualização da ferramenta, e o modo elogio reaparece sem avisar. Os sinais:
Elogia antes de responder. "Excelente pergunta", "ótima ideia", "faz muito sentido". Se a primeira frase é sobre você e não sobre o problema, o resto vem enviesado.
Repete o que você disse com palavras melhores e devolve como análise. Você reconhece porque não aprendeu nada.
Só tem argumento a favor. Nenhum risco, nenhum custo, nenhuma condição.
Muda de lado quando você reclama. Você diz "não concordo" e ela concorda na hora. Não mudou de ideia, cedeu.
Quando bater dois desses, para e cola uma das frases da seção 5. Ou abre conversa nova, que costuma ser mais rápido. Como recomeçar sem perder o que já foi feito tem um guia inteiro: A IA não ficou burra. A conversa ficou longa demais.
8. O que ela nunca decide por você
Preciso ser bem clara aqui, porque é o que separa este guia de conteúdo irresponsável.
A IA não sabe do seu negócio o que você não contou. Não sabe que o seu maior cliente atrasa 20 dias, que o caixa aperta até março, que aquela contratação é da sua cunhada, que você não aguenta mais atender no domingo. E não vive a consequência: não perde o cliente e não paga a rescisão.
O que ela faz bem:
Levanta risco que você não tinha considerado.
Organiza as opções lado a lado, com o que pesa em cada uma.
Faz as perguntas que você estava evitando.
Aponta a conta que você não fez.
E o que ela não faz, nunca:
Não assume o risco nem responde por nada se der errado.
Não conhece o seu caixa, a sua energia e a sua história.
Quem assina é você. A meta não é trocar o seu instinto pela opinião da IA. É decidir tendo visto o lado feio da sua própria ideia antes do mercado te mostrar. A decisão continua sua, só melhor informada.
Oito e meia da manhã de uma terça. Você senta para montar a proposta de um cliente que pediu orçamento na sexta e está esperando desde então.
Você abre a IA e começa. Explica o que o cliente pediu, como o seu serviço funciona, o que entra e o que não entra. Corrige o preço, porque ela usou o valor de tabela e esse cliente tem condição diferente. Corrige de novo, porque ela colocou um prazo que você não cumpre em dezembro. Ajusta o tom, porque saiu formal demais e você não fala assim. Tira duas palavras que você nunca usa. Reescreve o bloco do meio linha por linha.
Onze e quarenta. Está bom. Você pede a versão final para copiar e mandar.
E vem a proposta com o preço antigo. Aquele que você mandou apagar às nove e dez. Com uma garantia de trinta dias que você nunca ofereceu na vida.
Você olha aquilo e pensa: perdi a manhã inteira.
Não perdeu. Mas tem uma coisa que leva dois minutos pra entender.
1. O que está acontecendo de verdade
A IA não tem memória do jeito que a gente tem. A cada mensagem sua, ela relê a conversa inteira do começo e só então responde.
Isso funciona bem enquanto a conversa é pequena. O problema é que existe um limite de quanto ela consegue reler de uma vez.
Pensa numa mesa de trabalho. Cabe só um tanto de papel em cima. Com cinco folhas você bate o olho e vê tudo. Aí você vai colocando mais: o pedido do cliente, o preço corrigido, o preço corrigido de novo, o rascunho revisado, aquele parágrafo que você pediu em três versões. A mesa enche. E quando chega coisa nova, o que estava lá no fundo cai no chão.
O preço que você corrigiu às nove e dez estava no fundo da pilha às onze e quarenta.
Quem trabalha com isso chama esse limite de janela de contexto. Guarde a mesa e esqueça o nome. Ela não ficou burra e nem está te ignorando. Ela está trabalhando numa mesa cheia.
Por isso conversa longa esquece o começo, e não o fim. O que você falou há dez minutos está seguro. O que você falou há duas horas, não.
2. Os quatro sinais de que ela já esqueceu
O aviso sempre aparece, e é sempre um destes quatro.
1. Ela repete uma pergunta que você já respondeu. Você diz que a proposta é para um cliente de reforma comercial e, quarenta minutos depois, ela pergunta se é para pessoa física ou jurídica.
2. Ela volta a um erro que você já corrigiu. O preço antigo. A palavra que você mandou tirar. Se um erro que já morreu voltou, não foi descuido: aquilo caiu da mesa.
3. O tom muda do nada. Você passou meia hora deixando o texto do seu jeito e de repente volta aquele texto de folheto, com "soluções personalizadas" e "excelência no atendimento". O jeito de escrever era uma instrução como outra qualquer, e instrução também cai da mesa.
4. Ela inventa um dado que você não deu. Aparece um número de garantia, um percentual de desconto. Ela não está mentindo por mal: com a informação real fora da mesa, ela preenche o buraco com o que costuma aparecer em textos parecidos. Este é o sinal mais caro, porque é o único que passa despercebido e vai embora dentro de um documento que você manda para o cliente.
Regra simples: um sinal isolado é aviso. Dois sinais na mesma conversa é hora de recomeçar.
3. A regra do recomeço
Quando a IA erra, a maioria insiste. Escreve "não é isso", "eu já te falei". E cada uma dessas mensagens ocupa mais espaço na mesa e empurra mais coisa para o chão. Você briga com ela e piora o problema que causou a briga.
Quando vale insistir: conversa ainda curta, um único sinal, erro pontual. Aí você corrige uma vez só e corrige inteiro. Não escreve "o preço está errado". Escreve "o preço é 5.200, à vista, sem parcelamento, e é esse valor que vale daqui pra frente".
Quando é hora de abrir conversa nova: dois sinais na mesma conversa, ou o mesmo erro voltando pela segunda vez, ou você já está há mais de uma hora ali. Insistir sai mais caro que recomeçar. Sempre.
Quase ninguém recomeça porque parece que vai jogar a manhã inteira fora e explicar tudo de novo. Você não vai.
4. O bloco de retomada
Antes de abandonar a conversa velha, você pede que ela escreva um relatório do estado do trabalho. É a sua manhã inteira em uma página ou duas, e é isso que você cola na conversa nova.
Peça na conversa velha mesmo, com ela já falhando. Ela ainda tem muita coisa na mesa, e o que faltar você completa na mão em dois minutos.
Cole isto na conversa que está travada:
Nós vamos encerrar esta conversa aqui e continuar este mesmo trabalho
em uma conversa nova. Antes disso, escreva um relatório de estado para
que eu cole lá e a continuação comece exatamente de onde paramos.
Escreva no formato abaixo, com esses títulos, em português claro:
1. OBJETIVO
Em duas ou três linhas: o que estamos produzindo e para quem.
2. CONTEXTO NECESSÁRIO
Só os fatos do meu negócio e deste caso que são indispensáveis para
continuar. Números, nomes, prazos e valores exatamente como eu passei.
Se apareceu outro assunto no meio da conversa, deixe ele de fora.
3. DECISÕES TOMADAS
Lista do que já foi decidido e está fechado. Uma linha cada.
4. CORREÇÕES QUE EU FIZ
Lista do que eu te mandei mudar ao longo da conversa, no formato
"era assim, passou a ser assim". Inclua tudo que eu corrigi, mesmo o
que parecer pequeno.
5. O QUE NÃO PODE MUDAR
Regras fixas que valem para o resultado final: tom de voz, palavras
proibidas, formato, limites de preço ou prazo.
6. TRECHOS APROVADOS
Copie na íntegra, palavra por palavra, só o que eu aprovei com todas as
letras e não deve ser reescrito.
7. ONDE PARAMOS
O ponto exato em que a conversa estava quando pedi este relatório.
8. PRÓXIMO PASSO
A única próxima coisa a fazer, escrita como uma instrução direta.
9. O QUE FALTA SABER
Perguntas ainda em aberto, ou informação que você precisa de mim e
ainda não tem.
10. O QUE PARTIU DE VOCÊ E EU NUNCA CONFIRMEI
Todo número, prazo, garantia, desconto ou promessa que apareceu no
texto mas veio de você, não de mim. Copie o item e escreva "(eu não
disse isto)" na frente. Se não tiver nenhum, escreva "nenhum".
Regras para escrever este relatório:
- Não invente nada. O que não foi dito por mim não entra no relatório,
entra só na seção 10.
- Se você não tiver certeza de alguma informação, escreva
"(confirmar comigo)" na frente dela em vez de chutar.
- Nada de elogio, introdução ou conclusão. Só o relatório.
- Escreva para alguém que não acompanhou nada desta conversa.
Salve esse bloco nas notas do celular ou num documento fixo. Ele não depende do assunto: serve para proposta, plano de conteúdo, negociação com fornecedor.
Quando o relatório vier, comece pela seção 10. É ali que aparece o que ela inventou e você não percebeu. Apague o que não é seu, conserte o que estiver errado e complete o que ela marcou como "confirmar". São três minutos, o único trabalho manual do processo, e é o que impede o erro velho de ir junto para a mesa nova.
Aí abre uma conversa nova e manda como primeira mensagem:
Vamos continuar um trabalho que começou em outra conversa. O relatório
abaixo tem tudo que você precisa saber. Leia, me diga em três linhas o
que você entendeu que precisa ser feito, e não escreva mais nada além
dessas três linhas até eu confirmar.
[cola o relatório aqui]
Conferir em três linhas se ela entendeu custa quinze segundos e evita meia hora de trabalho em cima de um mal-entendido.
5. Uma conversa, um assunto
O erro que mais enche mesa é misturar tarefas. Você está montando a proposta e, no meio, lembra do post da semana. Pede ali mesmo, porque a IA já está aberta. Depois pergunta como responder aquele cliente chato. Depois pede para ela conferir uma conta.
Agora são quatro assuntos disputando o mesmo espaço, e eles se contaminam: o tom que você calibrou para a proposta vaza para o post.
A regra é chata e vale ouro: uma conversa, um assunto. Terminou a proposta, fecha. Post é conversa nova, cliente chato é conversa nova. Abrir conversa é grátis.
Se você usa os modos de pensamento do guia 5 frases que mudam a resposta da IA na hora, encadear dois modos na mesma conversa continua valendo: é o mesmo assunto de dois jeitos, não conta como misturar.
6. Cole o essencial, não o arquivo inteiro
O outro entupidor de mesa é o documento longo.
Você anexa o PDF de quarenta páginas do edital, ou a planilha de trezentas linhas. Ela lê tudo, e tudo ocupa espaço. A mesa já estava tomada antes de você começar a falar.
O jeito certo é extrair antes. Numa conversa nova, com o documento anexado:
Anexei um documento longo. Não resuma o documento inteiro.
Eu preciso dele apenas para: [escreva aqui em uma linha o que você vai
fazer, por exemplo "montar a proposta de reforma comercial para este
cliente"].
Extraia só o que serve para isso, no máximo em uma página. Se não couber, corte primeiro o que não vira custo nem obrigação para mim:
- os prazos, valores, números e nomes que aparecem, copiados exatamente
- as obrigações e exigências que eu preciso cumprir
- as restrições e proibições
- qualquer coisa que possa virar custo ou risco para mim
Copie os trechos importantes com as palavras originais, sem parafrasear.
Não faça conta nem estimativa. Se fizer alguma, avise que a conta é sua
e não está no documento.
Ignore tudo que for repetição, texto padrão ou juridiquês sem
consequência prática. Se algo importante estiver ambíguo, aponte em vez
de interpretar.
Você confere a página e leva ela para a conversa de trabalho. Quarenta páginas viram uma.
7. O que fica fixo e nunca depende da conversa
Tem informação que você não deveria estar digitando em conversa nenhuma, porque nunca muda: o que o seu negócio faz, para quem, a sua faixa de preço, o seu jeito de escrever, o que você nunca oferece.
Isso vive nas instruções permanentes, o campo onde a IA guarda o que vale em toda conversa. É o que o guia Configure a IA como uma funcionária nova, em 20 minutos e sem instalar nada monta em vinte minutos. O que está lá não cai da mesa, porque não está na mesa. Está guardado na gaveta e volta pronto toda vez.
O teste é este: se você já explicou a mesma coisa em três conversas diferentes, ela não é contexto de conversa, é instrução permanente. Sobe para as instruções e nunca mais digita.
Com o essencial guardado, recomeçar custa quase nada. Sem isso, é começar da estaca zero, e é por isso que tanta gente insiste com uma IA que já perdeu o fio.
8. O checkpoint
A última peça, e a mais barata.
Antes de pedir o resultado final de um trabalho longo, você pergunta:
Antes de produzir a versão final: liste em no máximo 12 linhas as
regras, os valores e as correções que estão valendo neste trabalho
agora. No fim, liste separado o que partiu de você e eu nunca
confirmei: número, prazo, garantia, desconto ou promessa. Só as duas
listas, sem produzir nada e sem comentário.
Uma linha, e a resposta você lê em meio minuto.
Se voltar tudo certo, pede a versão final tranquila. A lista que importa é a segunda, a do que partiu dela. É ali que mora a garantia que você nunca ofereceu e o desconto que você nunca deu. Se aparecer alguma, não corrige, não briga, não insiste: roda o bloco de retomada da seção 4 e recomeça.
Uma coisa que você vai perceber fazendo
Na primeira vez que rodar o bloco de retomada, olhe bem para o relatório que sair. Boa parte daquele contexto você vai escrever de novo na semana que vem. E na outra. E na outra.
Quando a mesma tarefa se repete toda semana, refazer o contexto é o problema errado a resolver. O certo é transformar aquilo numa ferramenta que já nasce sabendo, e dá para montar uma num sábado, sem programar nada: Monte a sua primeira ferramenta num sábado, sem saber programar.
E se o seu incômodo for outro, o de que a IA muda de comportamento a cada atualização e você descobre sempre depois de todo mundo, é para isso que existe a comunidade: uma vez por semana, o que mudou e o que muda na sua rotina.
A sua ação desta semana
Abre a conversa mais longa e mais bagunçada que você tem hoje. Aquela que já virou um monstro e você tem preguiça de rolar até o começo.
Cola o bloco de retomada da seção 4. Lê o relatório que ela devolver, começando pela seção 10, apaga o que ela inventou, corrige o que estiver errado e completa o que ela marcou como "confirmar".
Abre uma conversa nova e cola o relatório na primeira mensagem.
São nove e dez de uma segunda-feira. Você abre a planilha de pedidos, volta pro WhatsApp, copia o primeiro pedido, cola. Calcula o valor, soma o frete, confere se aquele cliente tem desconto. Escreve a mensagem. Copia, cola, manda. Volta pro segundo pedido.
Faz isso vinte e duas vezes.
Quando você levanta para tomar café já é dez e quarenta. Uma hora e meia toda semana numa tarefa que não decide nada, só executa uma regra que você já sabe de cabeça.
Sistema pronto para isso ou custa mais do que a tarefa vale, ou faz outras quarenta coisas que você não precisa.
Tem um caminho no meio: você monta a sua. Num sábado, sem escrever uma linha de código, descrevendo em português o que ela faz.
Você precisa do setup do seu negócio, porque a IA vai construir para ele. E do guia sobre conversa longa, porque montar uma ferramenta é o tipo de conversa em que ela começa a esquecer.
1. O que dá para montar e o que não dá
Dá para montar sozinho tudo que é do tipo "entra informação, sai resultado calculado ou escrito":
Calculadora de orçamento com as suas regras de preço, faixa, desconto e frete
Gerador de proposta ou mensagem pronta, no seu texto, com os dados do cliente
Organizador de pedido: pega o texto bagunçado do WhatsApp e devolve arrumado
Checklist que muda conforme a resposta, tipo roteiro de atendimento ou de vistoria
Não dá para montar sozinho, num sábado, o que precisa se conectar com o mundo lá fora: puxar saldo do banco, emitir nota fiscal, entrar no seu sistema de gestão, ou mandar mensagem no WhatsApp sem alguém apertar enviar.
Não é falta de capacidade sua: cada conexão dessas exige credencial, cadastro de desenvolvedor e alguém responsável quando quebrar. Quem promete que você resolve isso sozinho num fim de semana ou nunca fez, ou está vendendo alguma coisa.
Então a sua primeira ferramenta vai ser uma ilha. Parece pouco. É o que corta a hora e meia da segunda-feira.
2. Escolher a tarefa certa é metade do trabalho
Três critérios, e ela precisa passar nos três:
Ela se repete. Toda semana, ou pelo menos toda quinzena. Duas vezes por ano não paga o sábado.
Ela tem regra fixa. Você consegue dizer em voz alta o que acontece em cada caso. "Acima de R$300 o frete é grátis. Cliente antigo tem 10%. Os dois juntos não acumulam." Isso é regra. "Depende do cliente, eu vejo na hora" não é.
Você já faz na mão hoje. Você conhece os casos estranhos e tem exemplo real para testar.
O teste rápido: você consegue explicar a tarefa por telefone para alguém que começou ontem, e essa pessoa termina sem te ligar de volta? Se sim, serve. Se precisa dizer "aí você vê pelo bom senso", essa parte fica com você e o resto vira ferramenta.
3. Escreva em seis linhas o que a ferramenta faz
Antes de abrir a IA. Seis linhas, no bloco de notas do celular.
O QUE ENTRA: ...
A REGRA: ...
O QUE SAI: ...
FORMATO: ...
NUNCA: ...
UM EXEMPLO DE VERDADE: (um caso que já aconteceu, com os números
reais que entraram e o texto exato que você mandou pro cliente)
Preenchido com o caso da segunda-feira:
O QUE ENTRA: o texto do pedido copiado do WhatsApp, com nome do
cliente, itens e quantidade.
A REGRA: cada item tem preço de tabela. Acima de R$300 o frete é
grátis, de R$300 pra baixo é R$25 (R$300 exatos paga frete). Cliente marcado como antigo tem 10%
de desconto no subtotal. Desconto e frete grátis não acumulam,
vale o que for melhor pro cliente.
O QUE SAI: a mensagem pronta de confirmação, no meu jeito de
escrever, com o total e o prazo de entrega.
FORMATO: texto que eu copio e colo no WhatsApp, sem formatação
estranha.
NUNCA: inventar preço de item que não está na tabela. Se não
encontrar, avisa e para.
A linha do NUNCA é a mais importante e a que todo mundo esquece. É ela que impede a ferramenta de chutar um número, e esse erro só aparece na frente do cliente.
Se você travar em alguma linha, é sinal de que a regra ainda não está clara na sua cabeça. Vale mais parar dez minutos aqui do que descobrir isso depois de duas horas de conversa.
Repare também no "R$300 exatos paga frete". Toda regra com um número tem uma fronteira, e é sempre nela que a conta escapa. Escreva o que acontece em cima do número, não só acima e abaixo dele.
Baixe este guia em PDF para ter os moldes à mão enquanto monta.
4. Peça a primeira versão
Abre a mesma IA que você já usa, configurada com o seu negócio desde o primeiro guia. Conversa nova, só para isso.
Você vai construir uma ferramenta simples para o meu negócio.
Eu não sei programar e não quero entender o código.
Aqui está a especificação:
[cole as suas seis linhas]
Antes de escrever qualquer coisa, me faça as perguntas que
faltam para você não precisar adivinhar nada. Uma pergunta por
vez, em português simples, sem termo técnico. Se eu responder
alguma coisa vaga, insista.
Quando as perguntas acabarem, faça a versão mais simples
possível que já funcione de ponta a ponta. Pode ser feia. Não
acrescente nenhuma função que eu não pedi.
Me entregue em um arquivo único que eu consiga abrir no
navegador com dois cliques. Antes dos três passos de uso, me
explique como eu transformo o que você escreveu num arquivo
salvo no meu computador, considerando que eu nunca fiz isso.
Ela vai te fazer perguntas que parecem óbvias demais. Responde com paciência, é aí que a ferramenta fica sua e não genérica. Essa parte do prompt é o modo entrevistador das 5 frases que mudam a resposta da IA na hora.
Depois vem um monte de código. Você não precisa entender nada do que está escrito ali. Mas você precisa de um computador nesta parte, não dá pelo celular: é ele que salva o arquivo e abre no navegador. Vê se faz o que você pediu e julga pelo resultado, como julgaria o trabalho de quem você contratou.
A primeira versão vai ser feia. Sem cor, sem logo, botão torto. Deixa feia, beleza é o mais fácil de pedir depois.
5. Teste com três casos reais, sendo um torto
Não invente caso. Pega três de verdade, do seu histórico:
O normal. O pedido de terça comum, os 80% do que entra.
O grande. O maior valor que você já fez. É onde a conta escapa.
O torto. Aquele pedido esquisito que sempre aparece: o cliente que pediu meia unidade. Esse é o caso que mais ensina.
Roda os três e anota o que veio diferente do que você teria escrito na mão. Não conserta nada ainda: consertar enquanto testa embaralha as duas coisas e você perde a conta.
Nesse teste, troca o nome do cliente por "Cliente A". Não é paranoia, e a razão está na seção 8.
6. Consertar sem programar
O erro que faz a maioria desistir é tentar adivinhar a solução técnica. Você escreve "acho que o problema é na fórmula do desconto, muda lá", a IA obedece, mexe onde não devia, e é ladeira abaixo.
Você não descreve a solução, você descreve o sintoma, como quem leva o carro no mecânico.
O QUE EU FIZ: coloquei [o caso exato, com os números reais que
eu usei]
O QUE ACONTECEU: [cole a resposta que a ferramenta deu, inteira,
sem resumir]
O QUE DEVERIA TER ACONTECIDO: [o resultado certo, com o número
certo]
Corrija só isso. Não mexa em mais nada que já está funcionando.
Me manda o arquivo inteiro de novo, não só o pedaço que mudou.
Três regras:
Um erro por vez. Lista de cinco correções de uma vez vira duas corrigidas e três novas.
Depois de cada correção, roda os três casos de novo, inclusive os que já estavam certos. Pega o conserto que estragou outra coisa.
Se o mesmo erro resistir a três tentativas, para de remendar. Pede assim: "essa parte não está saindo. Refaz só ela do zero, de um jeito diferente." O quarto remendo é onde o sábado se perde. E se nem refazer resolver, o problema é a conversa cheia: roda o bloco de retomada do guia da conversa longa e continua numa conversa nova.
7. Onde a ferramenta fica de pé sem instalar nada
Quatro opções realistas. "É de graça" quase sempre quer dizer "você paga em outra moeda".
1. Dentro da própria conversa com a IA. Roda colando o caso na conversa. Custo: o plano de IA que você já paga. Limitação: só você usa, precisa recolocar o contexto toda vez e o resultado varia a cada rodada.
2. Um arquivo solto no seu computador. Você abre no navegador com dois cliques. Custo: zero, de verdade. Limitação: existe só naquela máquina e não guarda histórico, a não ser que você peça.
3. Planilha do Google com a lógica dentro. Fórmulas, ou um script que a IA escreve para você colar. Custo: zero na conta pessoal. Limitação: quebra fácil quando alguém arrasta uma coluna, e a conta gratuita tem teto de execução do script. Um clique errado no compartilhamento deixa tudo aberto para quem tiver o link.
4. Publicar a página num serviço de hospedagem simples. Vira um endereço que abre no celular de qualquer lugar. Custo: existe camada gratuita. Com senha, domínio próprio ou mais uso, o plano pago costuma ficar entre uns 20 e 100 reais por mês. Isso muda bastante, confira no dia em que for usar. Limitação: na camada gratuita a página fica aberta para quem tiver o endereço, e o endereço muda se você trocar de serviço.
A regra: comece na 1 ou na 2 e só suba de degrau quando o atual atrapalhar de verdade. Ferramenta publicada bonita que ninguém usa custa mais do que arquivo feio que resolve a segunda-feira.
8. A conta honesta: quando parar de fazer sozinha
Existem três linhas. Enquanto não cruzar nenhuma, continuar sozinho é a decisão certa e a mais barata. Cruzou uma, o cálculo muda, mesmo que a ferramenta esteja funcionando bem.
Linha 1: mais de duas pessoas usando. Sozinha, você conserta o erro na hora. Com três pessoas, cada uma tem uma cópia com uma versão da regra, e o erro vira retrabalho descoberto pelo cliente. E você vira o suporte técnico: se viajar, a ferramenta viaja junto.
Linha 2: dado de cliente envolvido. CPF, endereço, telefone, valor de contrato. Não é capricho, é a LGPD e é responsabilidade sua. Uma ferramenta feita num sábado não tem controle de quem acessa, não tem registro de quem viu o quê, nem plano para o dia em que vazar. Eu construo esse tipo de sistema profissionalmente e não guardaria dado de cliente numa página publicada de graça num sábado.
Linha 3: parar de funcionar dói no faturamento. Se a ferramenta cair numa sexta e isso significa venda perdida ou cliente sem resposta, ela virou infraestrutura, e infraestrutura precisa de alguém que perceba a queda antes do cliente e responda por ela.
Se você cruzou uma dessas três, o próximo passo não é aprender mais, é passar a construção para alguém que assuma a responsabilidade com você: um desenvolvedor de confiança, a empresa que já cuida do seu sistema, ou a minha. A ResultROI é a agência que eu toco e faz exatamente isso, implementação de IA sob medida para empresas de 11 a 500 funcionários. Digo aqui porque esconder seria estranho.
Mas o critério é o de cima, não sou eu. Se você não cruzou nenhuma das três, contratar qualquer um agora é dinheiro gasto cedo demais, inclusive comigo. E se cruzou e prefere outra pessoa, leva as três linhas na conversa: quem não responder às três, não contrata.
O que vem depois
Se a ferramenta do sábado funcionou e você já pensou em outras quatro, a prateleira existe para isso: ferramentas e agentes prontos de atendimento, follow-up e cobrança, para colar e usar sem começar do zero.
A sua ação desta semana
Pega aquela tarefa de segunda de manhã, escreve as seis linhas do que ela faz e pede a primeira versão.
Não tenta terminar. Não tenta deixar bonita. Só chega numa versão feia que rode com um caso real seu, do começo ao fim.
Se você chegar até aí, o resto é conserto, e conserto você já sabe pedir.